Os 7 custos de uma peça impressa
Uma peça impressa carrega sete custos. Alguns aparecem na hora, como o filamento. Outros ficam escondidos e só aparecem meses depois, quando um bico entope ou a mesa precisa ser trocada. Colocar todos no preço é o que separa um trabalho que se paga de um que só ocupa a impressora.
1. Material
O fatiador mostra quantos gramas a impressão vai usar. Multiplique pelo preço do quilo: um rolo de PLA de R$ 110 custa R$ 0,11 por grama, então uma peça de 85 g leva R$ 9,35 de material. Em outubro de 2026, o PLA de 1 kg variava de cerca de R$ 90 a R$ 185 no Brasil, conforme a marca. A resina padrão ficava entre R$ 130 e R$ 200 o quilo.
Na resina, o fatiador costuma mostrar mililitros. Para converter, multiplique por 1,1, porque a resina padrão pesa um pouco mais que a água.
2. Perdas de material
Nem todo material vira peça. Suportes, borda de aderência (brim), a "torre" e a purga das trocas de cor em impressoras multicor, as primeiras camadas de teste: tudo isso vai para o lixo. Em peças de uma cor, 5% a 10% de perda é comum. Em peças com muitas trocas de cor, a perda pode ser bem maior. Confira o peso de purga que o próprio fatiador mostra e use esse número.
3. Energia
É o custo que mais assusta e o que menos pesa. Uma Bambu Lab P1S imprimindo PLA consome em média uns 120 W: o pico, de até uns 850 W, dura cerca de um minuto, enquanto a mesa e o bico esquentam. Numa impressão de 3,5 horas, isso dá 0,42 kWh, ou cerca de R$ 0,42 com a tarifa de R$ 1,00 o kWh. Para saber o seu número exato, um medidor de tomada resolve.
A tarifa muda bastante de uma distribuidora para outra. Em 2026, ficava aproximadamente entre R$ 0,85 e R$ 1,10 por kWh já com impostos. O valor certo está na sua conta de luz.
4. Desgaste da impressora
A impressora é uma ferramenta que se gasta com o uso. Uma forma simples de contar isso: divida o que você pagou nela pelas horas que ela deve trabalhar. Uma P1S de R$ 7.900 que dura 6.000 horas custa R$ 1,32 por hora de impressão. Assim, quando chegar a hora de trocar de máquina, o dinheiro já veio das próprias peças.
5. Manutenção
Bicos, mesas, correias, ventoinhas e, na resina, o filme FEP e a tela também se gastam. Um bico de latão costuma durar de 800 a 1.500 horas com PLA, bem menos com filamentos abrasivos (fibra de carbono ou vidro). Dividindo essas trocas pelas horas, chegamos a algo entre R$ 0,40 e R$ 0,90 por hora, conforme a máquina.
6. Falhas
Toda impressora erra de vez em quando: a peça descola, o filamento acaba, a luz cai. Quando isso acontece, o material e as horas de máquina já foram gastos. Se 8 de cada 100 impressões falham, a calculadora soma 8% ao custo de material e máquina para cobrir essas perdas. Anote as suas falhas por um mês e use o seu número real.
7. Seu tempo, embalagem e taxas
Fatiar o arquivo, trocar o filamento, tirar a peça, remover suportes, lixar, curar a resina, embalar, responder o cliente: tudo isso é trabalho. Na maioria das peças pequenas, o seu tempo é o maior custo, maior que o material e a energia somados. Por isso ele precisa estar no preço. Depois vêm a embalagem, o imposto, a taxa do cartão e, se vender por marketplace, a comissão da plataforma.
Seis impressoras, seis custos por hora
Para os perfis da calculadora, escolhemos a Bambu Lab P1S como referência, as três impressoras mais baratas do mercado brasileiro e mais duas de categorias diferentes (resina e grande formato). Os preços são médias encontradas em lojas brasileiras em outubro de 2026 e mudam com frequência. A vida útil e a manutenção são estimativas de planejamento: ajuste com a sua experiência.
| Impressora | Categoria | Preço de referência | Consumo médio | Vida útil adotada | Desgaste/h | Manutenção/h | Energia/h | Total/h |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Bambu Lab P1S Combo | Fechada, multicor (referência) | R$ 7.900 | ~120 W | 6.000 h | R$ 1,32 | R$ 0,60 | R$ 0,12 | R$ 2,04 |
| Creality Ender-3 V3 SE | Entrada, filamento (a mais barata) | R$ 1.500 | ~110 W | 4.000 h | R$ 0,38 | R$ 0,40 | R$ 0,11 | R$ 0,89 |
| Bambu Lab A1 mini | Entrada, filamento (mesa pequena) | R$ 2.200 | ~70 W | 4.000 h | R$ 0,55 | R$ 0,35 | R$ 0,07 | R$ 0,97 |
| Anycubic Photon Mono 4 | Entrada, resina | R$ 1.500 | ~35 W | 4.000 h | R$ 0,38 | R$ 0,70 | R$ 0,04 | R$ 1,11 |
| Elegoo Saturn 4 Ultra 16K | Resina (MSLA) | R$ 4.700 | ~60 W | 5.000 h | R$ 0,94 | R$ 0,90 | R$ 0,06 | R$ 1,90 |
| Creality K2 Plus Combo | Grande formato, multicor | R$ 13.000 | ~220 W | 8.000 h | R$ 1,63 | R$ 0,90 | R$ 0,22 | R$ 2,75 |
O que a tabela mostra:
- A energia é o menor custo nas quatro. O que pesa é o desgaste e a manutenção.
- Máquina mais cara não quer dizer peça mais cara. A P1S custa mais por hora que a Ender, mas costuma imprimir mais rápido e falhar menos. Se uma peça leva 3,5 horas na P1S e 7 horas na Ender, a hora mais barata deixa de ser vantagem. Compare sempre pelo custo da peça, não da hora.
- Na resina, os consumíveis contam. Álcool isopropílico (R$ 25 a R$ 50 o litro), luvas, papel e o filme FEP entram em cada impressão. Por isso o perfil da Saturn já vem com R$ 5 de consumíveis por peça.
- Grande formato se paga com peças grandes ou lotes. A K2 Plus tem a hora mais cara; ela compensa quando a mesa vai cheia ou quando a peça não caberia numa máquina menor.
As mais baratas para começar
Para quem está começando a vender impressão 3D, três máquinas aparecem como as mais em conta no Brasil em outubro de 2026. Os preços variam bastante entre lojas e marketplaces; os valores abaixo são uma média do que encontramos.
- Creality Ender-3 V3 SE (cerca de R$ 1.400 a R$ 2.300). A porta de entrada mais barata em filamento, com mesa de 22 × 22 cm e estrutura aberta. Pede um pouco mais de ajuste e atenção que as fechadas, e costuma imprimir mais devagar: confira o tempo no fatiador antes de prometer prazo.
- Bambu Lab A1 mini (cerca de R$ 2.100 a R$ 2.300). Calibra sozinha e é das mais fáceis de usar, com consumo baixo (cerca de 57 a 85 W imprimindo PLA). O limite é o tamanho: a mesa tem 18 × 18 cm, então peças grandes precisam ser divididas.
- Anycubic Photon Mono 4 (cerca de R$ 1.400 a R$ 2.100). A resina mais acessível, ótima para miniaturas e peças com muito detalhe. Gasta pouca energia, mas tem consumíveis em toda impressão (álcool, luvas, papel) e o filme FEP e a tela se desgastam: por isso a manutenção por hora pesa mais que a energia.
Com essas máquinas, a hora de impressora custa menos de R$ 1,20. Na prática, isso quer dizer que, nas peças pequenas, o preço depende quase só do material e do seu tempo. É mais um motivo para colocar o seu tempo na conta.
Um exemplo do começo ao fim
Um suporte de celular na Bambu Lab P1S: 85 g de PLA, 3 horas e meia de impressão, 10 minutos de preparo e 10 de acabamento, valor da hora de R$ 40, embalagem de R$ 2.
| Custo | Conta | Valor |
|---|---|---|
| Material | 85 g + 10% de perdas × R$ 0,11/g | R$ 10,29 |
| Energia | 0,12 kW × 3,5 h × R$ 1,00 | R$ 0,42 |
| Desgaste + manutenção | (R$ 1,32 + R$ 0,60) × 3,5 h | R$ 6,71 |
| Reserva para falhas | 8% de material + máquina | R$ 1,39 |
| Seu tempo | 20 min × R$ 40/h | R$ 13,33 |
| Embalagem | — | R$ 2,00 |
| Custo da peça | R$ 34,14 | |
| Preço mínimo | custo ÷ (1 − 8% de imposto e taxas) | R$ 37,11 |
| Preço recomendado | custo ÷ (1 − 8% − 30% de lucro) | R$ 55,06 |
Repare: o seu tempo (R$ 13,33) pesa mais que o material (R$ 10,29), e a energia não chega a R$ 0,50. Se essa peça fosse vendida a R$ 25, valor comum quando se olha só o filamento, cada venda pagaria menos do que custa.
Como cobrar sem errar a mão
- Cobre pela soma, não só pelo grama. Preço por grama é prático para orçar, mas uma peça leve e demorada (cheia de detalhes) gasta mais máquina do que material. A calculadora mostra o preço recomendado por grama para você usar como referência, sempre conferindo a soma completa.
- Separe o modelo 3D da impressão. Se você também desenha a peça, a modelagem é um serviço à parte, cobrado pelo valor da sua hora.
- Marketplace tem comissão. Se vende por plataforma, coloque a comissão no campo próprio: ela sai do preço antes do seu lucro.
- Lote tem preço melhor, e isso é justo. Dez peças iguais na mesma mesa dividem o preparo. Dá para oferecer desconto por quantidade sem perder margem: teste com o campo "Peças na mesa".
- Peça urgente ocupa a fila. Se o cliente precisa para amanhã e você vai passar na frente de outros trabalhos, é razoável cobrar a mais pela prioridade.
Como baixar o custo sem baixar o preço
- Junte peças na mesma mesa sempre que puder.
- Reduza as trocas de cor: agrupe as cores por camada ou use pintura no acabamento.
- Ajuste o preenchimento ao uso da peça: decoração não precisa de 40% de infill.
- Oriente a peça para usar menos suporte.
- Compre material em quantidade quando o giro justificar, sem deixar rolo parado absorvendo umidade.
- Anote as falhas por um mês: saber por que elas acontecem é o jeito mais rápido de diminuir a reserva.
De onde vêm os números
Valores de referência pesquisados em outubro de 2026. Preços de máquinas e materiais mudam toda semana; a calculadora deixa você trocar todos eles pelos seus.
- Consumo da P1S imprimindo PLA (cerca de 120 W): Igor's Lab; tabela oficial de consumo: Bambu Lab Wiki.
- Consumo médio da K2 Plus (220 W) e potência nominal: Spoolmath e Creality.
- Potência máxima da Saturn 4 Ultra (144 W) e estimativa de uso: The Phonograph e Filamino.
- Consumo da A1 mini (cerca de 57 a 85 W com PLA): Igor's Lab; fonte de 60 W da Photon Mono 4: Slim3D.
- Preços das mais baratas no Brasil: Tamo Tudo 3D, Como Comprar, Slim3D.
- Preços no Brasil: 3D Prime, Creality Brasil, RepRap3D, Voolt3D, Translaser.
- Vida útil de bicos e custos de manutenção: QIDI; depreciação por hora: Snapmaker.
- Tarifa de energia em 2026: projeção da ANEEL citada pela pv magazine Brasil.